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sábado, 14 de janeiro de 2017

Pursuit of Happiness

Quando se é criança, tem-se todo o tempo do mundo, mas para nós, falta liberdade e dinheiro. Achamos que ao crescer, podemos fazer de tudo. Chega à adolescência e o tempo até que continua generoso e, bem ou mal, temos um pouco mais de liberdade, mas percebemos que falta o vil metal e queremos crescer, ser um adulto responsável e endinheirado. Bem, chega a fase adulta, conseguimos um emprego, vem o dinheiro, mas não o suficiente para tudo o que queremos. Tudo é caro. E nossas responsabilidades diárias nos tiram os tão preciosos tempo e alguma liberdade – criança sim é que pode fazer tudo sem consequências, brada alguém. Pensamos que com um emprego melhor significa mais dinheiro no bolso e que finalmente vamos fazer aquela viagem/curso/compra dos sonhos. Ledo engano, mais trabalho e menos diversão, e o tempo vai escorrendo pelos dedos – trabalho, atividades, relacionamentos, lazer... Tudo pede tempo. E enquanto os anos passam, conseguimos muitas realizações – não todas a que sonhamos na primavera e no verão, suspira outro – e, com esperança, esperamos que com o tempo a mais vinda da aposentadoria, nosso projetos se realizem, mas com a chegada do inverno, o entardecer derradeiro, tudo que queremos é descanso. Deixe os jovens com seus sonhos, é ora de curtir as lembranças e todas nossas realizações e nos preparar que após um Game Over tem um Game Start, e vamos de novo e de novo e de novo... Pursuit os Happiness Tá na Mesa!



Pursuit of Happiness é um ótimo jogo lançado em 2015 por Adrian Abela e David Chircop, para até quatro jogadores, com duração média de 90 minutos, nele você literalmente vive outra vida, desde a adolescência até a morte, fazendo projetos, conseguindo empregos, casando, se divertindo e se estressando.

- Cara, para de falar besteira. Não é esse nome complicado que ninguém sabe falar. É o bom é velho Jogo da Vida. Não há jogo melhor.



Como já diz o velho sábio “Há vida além do War” insignificante gafanhoto. E neste caso além do Jogo da Vida e do Detetive também. Pursuit of Happiness lembra um pouco sim The Game of Life, mas transforma todo o fator sorte dele em decisões bem acertadas. Em vez de só torcer para tirar cinco e virar um Engenheiro, em Pursuit você tem que se planejar tanto para conseguir os recursos necessários quanto para usar melhor seu tempo escasso depois.

Basicamente Pursuit é um jogo de Alocação de Trabalhadores, que representam o tempo que você tem para realizar diversas tarefas. Normalmente se começa a rodada com seis Ampulhetas que podem ser alocadas nas áreas para conseguir Recursos, comprar Cartas, conseguir mais Tempo ou perder Stress. O tabuleiro é dividido em três áreas principais: uma para as Ações, outra para as Cartas e a última para as trilhas de Stress e de Felicidade. Sempre que um jogador repete a ação na mesma rodada, ganha Stress.

São dez Ações: Estudo (ganha marcadores de Conhecimento), Diversão (ganha marcadores de Criatividade), Interação (ganha marcadores de Relacionamento), Projeto (compra uma carta de Projeto), Gasto (compra uma carta de Atividade ou Item), Trabalho Temporário (ganha dinheiro), Emprego (compra uma carta de Emprego), Parceiros (compra uma carta de Parceiro), Tempo Extra (ganha duas Ampulhetas e dois níveis de stress) e Descanso (perde dois níveis de Stress). No primeiro turno (a adolescência) estão indisponíveis Emprego, Parceiros e Tempo Extra (Nota do Sr. Slovic: Assim como na vida ideal, adolescentes não tem empregos fixos, relacionamentos fortes e duradouros e não precisam de mais tempo para fazer as coisas, pois já tem o suficiente. De novo: na vida ideal!).



- Mas a vida começa na infância. Que jogo burro que começa na adolescência é esse?

Haja paciência com esse aborrescente iletrado. A infância não foi esquecida. No inicio da partida cada jogador escolhe uma Carta de Infância, que representa como foram seus primeiros anos: carismático, produtivo a até rico. Além de dar uma Habilidade especial única, mostra seus recursos iniciais.

No jogo há quatro tipos de cartas: Projetos são atividades de longo prazo, que tem etapas que não podem ser puladas (Nota da Sra. Slovic: Como aprender uma língua estrangeira ou criar um Blog). Cada nível tem um custo em recursos e dão um benefício (normalmente recurso). Para avançar para outro nível gasta-se tempo (coloca-se o marcador na carta e não gera stress por repetição). Há também Projetos Coletivos, em que todos podem participar,  como criar uma revista ou ter um grupo de RPG, e os de Turno Único, que como o próprio nome diz, só duram por um rodada, como Participar de um Reality Show ou de um campeonato de Sudoku.



Gastos: são de Atividades curtas (como ir ao shopping ou viajar no fim de semana) ou Itens que podem ser comprados, como carros ou coleção de selos (Nota do Sr. Slovic: Sim, existe a carta de coleção de Boardgames!). Assim como os Projetos, cada nível tem um custo e te dá benefícios diferentes, mas não é necessário começar de baixo. É possível já comprar de cara uma mansão ou um quarto inteiro de Bonecas de Porcelana. Outra diferença dos Projetos é o Custo de Manutenção, que deve ser pago no inicio de cada rodada ou perde-se a carta, ocasionando Infelicidade e Stress (Nota do Casal Slovic: Pensa que é fácil manter uma casa com um quarto de jogos, uma pequena biblioteca, uma estante de quadrinhos e outra de miniaturas?).



Já a carta de Emprego te dá uma Ocupação. Elas tem custo de compra e de manutenção, mas te dá Salário no inicio do turno. Os Empregos também tem níveis (são três), mas cada um é uma carta (Nota do Sr. Slovic: São Promoções). Há vários tipos de Empregos (Artísticos, Sociais, Científicos...) e para conseguir uma Promoção, além de pagar o custo, uma carta do mesmo tipo, mas de nível superior, tem que estar disponível no Tabuleiro ou na Pilha de Descarte. O problema de se conseguir um Emprego é seu alto Custo de Manutenção: Ampulhetas! Sim, alguém com um bom emprego tem menos Tempo nas próximas jogadas. A “Promoção” do terceiro nível é a Aposentadoria, onde acaba o custo de Manutenção. As cartas de |Emprego tem duas faces. Os custos, benefícios e tipos são os mesmo, só muda o nome.



As cartas de Parceiro significa que você começou um relacionamento sério. A grande maioria começa com um simples Encontro e não tem custo. Elas também são de dupla face (Nota do Sr. Slovic Cada lado tem um sexo, para os mais puritanos). Para evoluir na relação, cada parceiro tem um pré-requisito, como ter dois Projetos Completos ou cinco marcadores de Conhecimento. Não é necessário pagar, só ter. Assim como no Emprego, se gasta Tempo com o seu Custo de Manutenção.



O jogo normalmente dura seis rodadas (a primeira na adolescência, quatro na vida adulta e uma na velhice), mas pode haver mais duas, mas é bem difícil chegar na “segunda” e principalmente na “terceira” velhice.

- Por quê? É só ter uma vida bem regrada e saudável.

E não é que você está certo! Milagres acontecem. Há um aspecto muito importante no jogo: o Fator Stress. Sempre que um jogador faz a mesma jogada várias vezes na mesma rodada ou descarta um projeto antes da conclusão ou faz hora extra (entre outras coisas), ganha stress. Há um nível de stress no tabuleiro (dividido por cores), que representa o quanto o jogador está calmo ou nervoso com a vida. Quando se ganha stress, o marcador avança apara a direita e quando relaxa, para a esquerda. O problema é passar para uma cor mais para direita é fácil, é só ir acumulando stress, mas para passar para uma cor mais a esquerda, só ganhando Corações, que são prêmios finais de Projetos de Saúde, e não há muitos no jogo. No começo do turno, se ganha ou perde-se Ampulhetas dependendo do Grau de Stress. E isso nos leva as fases de Velhice, que dão Stress (três, seis e novo níveis, respectivamente) antes do inicio do turno. E como o jogador morre se ganhar stress além do ultimo nível (Nota da Sra. Slovic: O vermelho), então é extremamente difícil chegar vivo a segunda Fase da Velhice (e muito mais na Terceira!).

Por fim, há o Nível de Felicidade Temporário, que mede o quanto você está feliz naquele turno. Ele é ganho através de recompensas de várias cartas de Projeto, Itens, Atividades e Relacionamento (Nota do Sr. Slovic: Podemos ver claramente que Trabalho não trás felicidade). Há três níveis Positivos e três Negativos. Cada nível dá desconto (ou aumenta) o preço para comprar cartas, além disso, quem tiver mais felicidade se trona o primeiro jogador da próxima rodada. Mas como o nome diz, toda a felicidade é temporária e zerada ano começo da rodada.



No geral, Pursuit of Happiness é um jogo fantástico, muito bem amarrado e que faz todo o sentido. Você tem mais tempo enquanto jovem e, se planejar direito, mais recordações felizes mais para o fim (Nota do Sr. Slovic: Recordações = Pontos de vitória), para conseguir fazer seus projetos tem que ter Conhecimento/Criatividade/Relacionamento, o que leva tempo para conseguir. Empregos e Parceiros são ótimos e importantes, mas demandam tempo. Você realmente vive outra vida. Talvez melhor, talvez pior, talvez igual (Nota do Sr. Slovic: Na minha primeira partira eu era um engenheiro com uma coleção de boardgames, outra de quadrinhos e uma pequena de miniaturas, desesperado para me tornar um professor universitário. Só não consegui criar o blog... Nada é perfeito). Pursuit of Happiness é tudo aquilo que o CV (e o Jogo da Vida) não conseguiu ser: uma simulação de um projeto de vida pouco dependente da sorte. Cada turno dá a impressão da passagem de uma década. A quantidade de cartas dá ao jogo a possibilidade de inúmeras partidas diferentes. Torne-se um colecionador compulsivo em uma e na outra se eleja Presidente com um grupo de RPG na outra. Fique um solteirão rico que morreu cedo ou faça tudo pela saúde e viva até os cem anos. Agora, com licença, temos uma vida para começar. E de novo, de novo, de novo...

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