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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Agrícola

Quando vim para essas bandas, naquele pedaço de chão havia um casebre de madeira onde o Nhô Lau morava com a esposa. E só. Todos os dias acordavam cedo, não importando se fazia sol ou chuva, se era terça ou domingo. Aravam a roça, cuidavam dos animais, cortavam lenha, cuidavam das goiabeiras... Se o dia deixava, iam pescar. A comida sempre foi pouca, mas nunca precisaram pedir. Era gente trabalhadora. E os dois foram para três. Mal chegou o primeiro e já veio o segundo filho. Depois uma filha e a família sempre aumentando. Com mais mãos para trabalhar, eles cresceram. Hoje, todo esse lado do vale é do Coronel. O maior criador de gado da região. Todo aquele campo amarelo de trigo também é dos Lau. E assim vai. Quem trabalha, sempre alcança. Um dia seremos nós. Nunca se esqueça disso, filho. Agora vamos, que já sua mãe já chamou. Agrícola Tá na Mesa!



Agrícola é um clássico dos boardgames, criado em 2007 pelo mestre Uwe Rosenberg. Para um a cinco jogadores, com duração média de noventa minutos, neles os jogadores são pequenos fazendeiros, com poucos recursos, querendo, primeiro sobreviver, e depois, prosperar na dura vida do campo.

- Até parece FarmVille. Deve ser uma cópia mal feita dele. Só mais um esperto querendo copiar um grande sucesso.

Larga esse DumbPhone e sai do seu FeiceBuque, Chico Bento! Agrícola é bem mais antigo que todos esses jogos online de fazendinha. E muito melhor. É um jogo que te dá muitas possibilidades de ações, mas poucas chances de fazer algo na rodada. Basicamente o objetivo do jogo é ter uma próspera fazenda, mas como todos começam pouquíssimos recursos, não é uma tarefa fácil. No fim do jogo, tudo que o jogador fez dá Pontos de Vitória, mas tudo que não fez, tira.



O jogo dura quinze rodadas e no início cada jogador só pode escolher duas das várias ações disponíveis. Conforme os turnos avançam, mais opções ficam disponíveis. O problema é que cada ação só pode ser escolhida por um único jogador, por isso saber o que e quando fizer é fundamental. Quando chega próximo do meio do jogo, é possível ter filhos, e com isso mais trabalhadores para o árduo batente. O porém de tudo é que antes de ter um rebento, o fazendeiro deve aumentar sua casa e depois deve alimentá-lo.

-É só dar comida para eles. Que ridículo!

Sim, meu caro Augustus Gloop. Mas não é nada fácil. No fim de algumas rodadas há a Colheita. É uma hora feliz, onde os frutos do campo podem ser colhidos e os animais se reproduzem. Mas para que a felicidade acontece plenamente todos os membros da família devem ser alimentados e conseguir comida suficiente é trabalhoso. Se não for possível, o jogador perde três pontos por membro faminto no fim do jogo.



Na verdade nada é facilitado nesse jogo. Quer ter animais? Então primeiro corte madeira, depois construa uma cerca, depois consiga o animal. E torça para que as ações para isso estejam disponíveis na sua vez. Quer aumentar sua casa? Precisa de madeira (barro ou pedra, para melhorá-la), depois da ação para conseguir fazer. Quem colher algo? Are o campo, consiga as sementes e plante. Sim ,cada uma desses é uma ação diferente. E tudo isso ao mesmo tempo em que precisa se preocupar em alimentar a família.

E esse é o modo fácil (Nota da Sra. Slovic: Chamado de Modo Família). Sim, por que em Agrícola há várias camadas de complexidade no jogo, como uma cebola (Nota do Sr. Slovic: Sim, isso foi uma referencia direta ao Shrek. Isso que dá escrever ao mesmo tempo em que assiste a esse fantástico filme). Para os modos avançados, entram em jogo várias cartas, conhecidas como Deck-E, Deck-I e Deck-K. Essas cartas introduzem no jogo dois conceitos: Ocupações (profissões que seu fazendeiro pode ter) e Melhorias (coisas que se pode construir na casa, para melhorar a vida). Cada Deck aumenta um pouco mais a complexidade do Agrícola (Nota do Sr. Slovic: Já existem muitos Decks adicionais: X, L, Z... E como Agrícola é um jogo alemão, não poderia faltar o Deck-Ö)




No geral, Agrícola é um daqueles jogos que vocês tem que conhecer. É um clássico que precisa estar do currículo de todos BoardGamer. Não é a toa que está no topo da maioria das lista de melhores jogos mundo a fora. Mas por ser cruel na hora da pontuação final, é daqueles que ou você ama (Nota do Casal Slovic: Que é o nosso caso) ou tem ódio mortal. Uwe se inspirou na dura vida de camponeses da Europa Oriental durante a Idade Média para criar essa Obra Prima, então, não espere um jogo de Fazendinha Feliz. Agora, pronto para alimentar o rebanho?


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