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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Viticulture

O Sol mal desponta a leste de Toscana e já há trabalhadores por todos os campos. Claro que não temos uma grande propriedade, só um pequeno pedaço desse lindo chão que meu irmão, minha irmã e eu herdamos de nosso falecido avô. Só poucos acres de neve, mas que fora do inverno pinta esses montes de verde e roxo. É duro ser um pequeno produtor neste mundo selvagem capitalista, principalmente quando se tem um cunhado como meu. Maledetto Marcello Berdinazi, que só quer fazer vinagre! Mas a vida segue, uvas são colhidas e esmagadas, novos contratos são feitos, as estações passam e Viticulture Tá na Mesa!



Viticulture foi lançado em 2013 por Jarney Stegmaier e Alan Stone, via Kickstart. O jogo comporta de dois a seis jogadores e tem duração média de uma hora. Como o nome diz, viticulture é um jogo sobre produção de vinhos.

Ei, picareta. Você já falou recentemente deste jogo. Vá fazer seu trabalho direito.

Stronzo! Você, com sua memória curta, está confundindo os jogos. Falamos sobre Vinhos (Nota do Sr. Slovic: Se ainda não viu nossa resenha deste fantástico jogo, não perca a chance agora: Vinhos Tá na Mesa!). Viticultura, apesar de ter o mesmo tema, é bem diferente. Enquanto em Vinhos os jogadores são grandes produtores, donos de vastas propriedades por toda Portugal, aqui em Viticulture, são humildes vinicultores (Nota da Sra. Slovic: Entendeu de onde vem o nome do jogo?) italianos, tentando produzir uvas em uma pequena propriedade junto com os outros jogadores. Enquanto em Vinho o objetivo é produzir o melhor vinho para participar da Feira do Vinho Português, aqui é cumprir contratos de venda. Vinhos é um jogo pesado, já Viticulture dá para apresentar sem muitos problemas para iniciantes. Ou seja, tudo sobre vinhos, mas com duas roupagens extremamente diferentes.

Os turnos em Viticulture representam a passagem de uma estação do ano. Os trabalhadores podem ser alocados no verão e no inverno, sendo que cada período as tarefas disponíveis são diferentes: planta-se no verão e colhe no inverno, por exemplo. Já no outono e na primavera, a propriedade recebe visitantes, que são representados por cartas, que podem ajudar nas tarefas nas outras estações.



O jogo tem uma dinâmica muito parecida com uma vinícola de verdade: primeiro deve preparar o terreno, então plantar, para depois colher e só no fim fazer o vinho, antes de vender. A cada turno cada jogador coloca um trabalhador no espaço onde que fazer a ação e a realiza na hora. Todos os lugares tem espaços limitados (em um jogo com quatro jogadores, por exemplo, somente dois trabalhadores podem ficar em cada espaço), sendo que um, normalmente o primeiro a colocar, ganha uma vantagem, como pegar duas cartas de plantação ou colher em mais de um campo. Mas há uma exceção: há um peça de trabalhador com tamanho maior. Essa peça pode ser alocada em qualquer espaço, mesmo que não haja mais vaga disponível no local.

- Está parecendo um jogo comum de alocação de trabalhadores. Não vi a menor graça.

Vá com calma, cabeça de Baggio! Viticulture apresenta uma mecânica interessante neste quesito. Os trabalhadores alocado nas ações do verão não podem ser usados no inverno. Ou seja, usou tudo no inicio da rodada, vai ficar olhando os outros jogarem no inverno. O planejamento de onde usar cada trabalhador pode queimar a pestana. Outro ponto interessante do jogo é a ordem do turno. Cada jogador escolhe sua ordem. Quanto mais tarde você joga, maior o bônus que recebe na rodada. É como se você decidisse o horário em que seus trabalhadores partem para a labuta, tanto que os marcadores têm formatos de galos. (Nota da Sra. Slovic: Deus ajuda quem tarde madruga).


No tabuleiro individual há espaço para colocar miniaturas das benfeitorias que você constrói em seus campos, como moinho de vento e adegas maiores. Além disse há um espaço para o armazenamento das uvas e dos vinhos, onde são usados belíssimos semicírculos transparentes. Todas as peças são muito bem feitas. E todas as cartas de visitantes tem o desenho dos participantes do Kickstart. Uma bela homenagem a quem ajudou a tornar realidade esse grande jogo.


No geral Viticulture é um jogo leve, porém bem estratégico. De rápida duração, mas sem um numero fixo de turnos. Termina quando no fim do ano que alguém atinge 20 Pontos de Vitória. Já há uma expansão disponível: Tuscany, que na verdade é um pacote com doze mini expansões. Desde a produção de queijo e azeitonas, até lindas moedas metálicas e um novo tabuleiro central, que muda a dinâmica do jogo, fazendo que haja tarefas nas quatro estações do ano. As mini expansões podem ser usadas em separado ou todas ao mesmo tempo. Viticulture, assim como Vinhos, apresenta bem esse universo. Enquanto em Vinhos temos uma visão marco, aqui temos uma visão microeconômica. Um brinde a todos!


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