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sábado, 29 de agosto de 2015

Blefe de Mestre

A enganação é uma arte.  Mentira, lorota, conversa fiada, conversa furada, conversa mole, conversa pra boi dormir, enrolação, engambelação, embromação, tapiação, ludibriação, pilantragem, malandragem, picaretagem, trambicagem. Você é bom nisso? Então se prepare, pois Blefe de Mestre Tá na mesa!



Blefe de Mestre é pré-histórico, mas que ainda diverte muito. Lançado no Brasil pela Estrela (na época que eles lançavam jogos que não eram simples variações do Banco Imobiliário ou do Jogo da Vida!), o comercial de lançamento, em 1985, era capitaneado por Marcelo Tas que reproduzia frases do jogo e deixava as pessoas em situação constrangedora, até que, por fim, levava uma guarda-chuvada de uma velhinha (Nota do Sr. Slovic: Velhinha que, aliás, está na capa da caixa).

- 1985? Eu nem ‘tava na barriga da mamãe! Já tinha jogos naquele tempo?

É, meu caro zigoto! O jogo é de adivinhação. Há várias cartas, em geral, com três ou quatro frases incompletas, terminando em reticências. Os jogadores devem relacionar a frase lida com o seu criador. Quem acertar mais, ganha. Todos escolhem uma única frase e escrevem seu complemento no papel. Logo, você terá de 3 a 6 frases e um espaço para marcar quem você acredita ser o dono daquele rompante criativo.

Embaralham-se as folhas que são redistribuídas. Cada jogador lê uma resposta e todos elegem quem a criou. O jogo traz apenas quatro capinhas para esconder as frases que serão embaralhadas para adivinhação, mas isso é facilmente contornado apenas dobrando os papéis de forma idêntica.
O grande macete é que todos escrevam a lápis  pois, se um dos jogadores tiver uma caneta diferente, saberemos, sempre, qual é o texto dele, pela cor da tinta. Tentar mudar a caligrafia também ajuda! (Nota da Sra. Slovic: Nossa caixa tem vários lápis. Quanto mais igual, melhor).

O jogo dá mais certo entre pessoas que não se conheçam muito profundamente: jogar com irmãos ou cônjuge costuma deixar o jogo fácil demais. Mas há como evitar isso, burlando, ou melhor, blefando! Você complementa a frase, não com uma ideia original sua, mas pensando com a mente do seu oponente, e pode criar uma sentença com a cara do outro jogador e levar todos da mesa a erro, menos você!!

Então, uma vez jogando Blefe de Mestre, a frase escolhida foi “Eu durmo em...”. Eram quatro jogadores. Dois colocaram “...em silêncio”. O terceiro, completou com a cidade em que o outro jogador morava, tentando blefar: “...em São José dos Campos.” E o quarto, apelou para “Eu durmo em...latado!” Como qualquer jogo que exige muito a competência criativa da pessoa, quanto mais tarde começar o jogo, melhor. Foram boas risadas madrugada a fora!

- Eu quero!
Ah, meu inexperiente infante, infelizmente esse jogo está fora de linha e só pode ser encontrado em sites de leilão e nas casas de boardgamers que conseguiram manter suas coleções para além-puberdade, e que resistiram às queixas maternas de que “você não brinca mais com isso, vou dar para o filho do vizinho!”. Triste sina...


No geral, Blefe de Mestre é um jogo simples, descontraído e rápido. Serve para animar churrascos e festas pós-eliminação humilhante do Brasil, coisas do gênero e ou simplesmente reuniões de amigos ou saidera de uma maratona de jogos mais pesados.


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