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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Origin

O xamã subiu em uma pedra, no centro de nossa pequena vila. A noite era clara, por causa da lua cheia. Ele dizia algo em sua língua sagrada e apontava para as estrelas a oeste. Não entendíamos as palavras, mas sim o significado. Era hora da mudança. Devíamos deixar nossa terra e procurar um novo lar. Alguns não concordam e ficarão aqui, mas sei que um dia também irão se mudar. Algo me diz que é da nossa natureza nos espalhar. Há muitos lugares para explorar. Ao partir, o Xamã percebe o que sinto e me diz algo em sua língua, que entendo: Origin Tá na Mesa!



Origin foi lançado em 2013. Criado por Andrea Mainini, o jogo comporta de dois a quatro jogadores e leva em média 45 minutos. Os jogadores devem determinar à longa e inexorável caminhada da humanidade, expandindo-se para todos os continentes, partindo do Coração da África, mas não deixando sua herança ficar perdida no tempo. As tribos são representadas por belas peças de madeira.

- Então é só ficar colocando essas pecinhas cabeçudas de ludo no tabuleiro?

Não é tão simples, seu Pan Troglodytes megalocéfalo. Realmente um dos principais atrativos do jogo são suas peças. Esculpidas em madeira, lembra muito artigos de artesanato rupestre. A altura e largura dos peões determinam sua velocidade em se mover pelo tabuleiro e sua força nas batalhas. Cada jogador tem uma única ação: evoluir; movimentar e guerrear. E sempre que entrar em um novo território, deve-se comprar cartas de Inovação e de Tecnologia. São três tipos de Cartas de Inovação: Amarelas (Ação, só se usa uma vez), Laranjas (Permanente, uma vantagem que dura até o fim da partida) e Rosas (Objetivos). As Cartas de Tecnologia criam uma pequena Árvore Tecnológica, que vai até o nível cinco.

Na Evolução, coloca-se uma nova peça em jogo, em território adjacente a outra. A nova tribo deve ter duas características idênticas à antiga (largura, altura ou cor), o que representa uma pequena diferenciação entre as tribos (Nota do Sr. Slovic: Como realmente aconteceu conosco. É só ver a gradual mudança entre os primeiros africanos com os povos da Oceania ou do norte da Europa, por exemplo). Não é possível fazer a Evolução se não houver uma peça que tenha somente uma característica diferente da tribo anterior.

Na Movimentação, uma tribo já estabelecia muda de território. O quando ela pode se mover é determinado por seu tamanho. Quanto maior a peça, mais ela pode andar e se distanciar das outras, alcançando rapidamente novos continentes.

Já a Guerra consiste em trocar de território com outra tribo. Uma tribo mais forte, ou seja, uma peça mais larga fica no território da mais fina. Ao contrário do que se pode pensar, a tribo que perder a guerra não é eliminada do jogo.

- Tem guerra no jogo, só que não? Até ludo tem eliminação! Não quero jogar esse jogo!

Só porque não há eliminação, não significa que o jogo seja ruim, seu rufião pleonástico. Origin, no início, pode até parecer um jogo bobo, mas bem é estratégico. Todos começam com uma carta de Objetivo, que nada mais é que uma rota para ganhar, mas não é necessário segui-la para ser o vencedor. E a cada território rosa desbravado, pega outro objetivo. Além das Cartas de Objetivo, no final conta pontos também as cartas de Tecnologia, com os tokens de Caça (que ganha o primeiro a entrar em um território Verde) e de Navegação (ganha o primeiro a ter duas tribos adjacentes nos estritos de travessia de continentes). No fim, o vencedor é aquele que tiver mais Pontos de Vitória.



Diferente da grande parte dos jogos, em Origin os jogadores não escolhem a cor dos Peões. Todos devem jogar com as três cores. O que diferencia são pequenos círculos, que representam a vila de cada jogador. Sempre que um Peão entra em jogo, coloca-se embaixo dele um círculo. E sempre que um Peão se mover, a vila vai junto. É interessante ver no fim do jogo as tribos mudarem gradualmente pelo mundo (nota da Sra. Slovic: Criando uma humanidade diversificada. Quem sabe jogando Origin, as pessoas não entendem que temos uma ancestralidade comum e termina com esse preconceito bobo de raça?)

No geral, Origin é um jogo rápido, bom para jogar com iniciantes, mas que possui certa estratégia, que agrada os veteranos. Há um manual de regras Versão Júnior, mas que não muda muito o andamento da partida. O jogo é muito lindíssimo, principalmente, como já dissemos, os Peões. O tabuleiro representa um mapa antigo e rustico, mas não uma representação exata dos continentes, tanto que a índia está separada da Ásia, assim como as Américas, o que o deixa no clima do jogo (Nota do Sr. Slovic: Já que estamos falando de algo que terminou milhares de anos atrás e duraram outros tantos milhares). Venha viver a maior aventura de todos os tempos, desde nosso berço, e vá com a humanidade explorar cada recanto do mundo, pela primeira vez.





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