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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Noblemen

O sol bate na janela do quarto me acordando e fazendo lembrar de minha dura vida. Acordar cedo para ver as plantações e cuidar das terras. Receber pessoas para fazer acordos, nem sempre rentáveis. Fazer cálculos para saber o quanto se pode doar a igreja, já que somos pessoas piedosas, mas sem tirar de mais de nosso sustento. E cuidar das tarefas mais difíceis e enfadonhas, como coletar impostos, aumentar a propriedade e nos preparar para o baile da rainha, onde, mostrando todo o glamour de nobreza, podemos ganhar novos títulos. Ah, o que é pior que uma vida sem títulos? Somente o chamado da criadagem, é claro. Como é difícil a vida da nobreza. O mínimo que espero é que os serviçais tragam noticias alvissareiras, tal como: “Noblemen Tá na Mesa!, Milord!”




Noblemen, lançado em 2012 por Dwight Sullivan, é um jogo de três a cinco jogadores, com duaração média de 90 minutos, onde os jogadores são membros da aristocracia britânica do século XVI, em pleno reinado da rainha Elizabeth I, que competem por prestígio e influência, sendo o vencedor aquele com maior número de Pontos de Vitória. E para isso fazem o que os nobres fazem de melhor: nada de útil, só Noblesse oblige.

- Como assim? Um jogo sobre nada? Que idiota!

Reles plebeu, contenha-se na sua insignificância! Noblemen é um jogo dinâmico, com muitas opções para alcançar a vitória. A partida é dividida em três turnos, cada uma representando uma década, que por sua vez tem várias fases. Há três tipos de fases: a normal, onde os jogadores podem realizar única ação, entre várias disponíveis, e jogar uma Carta de Escândalo, se quiser; a fase de Contagem de terrenos, que acontece no final da década e; o tão esperado Baile de Máscaras.

As sete ações possíveis refletem a vida blasè da nobreza: aumentar o tamanho de sua Propriedade, construir Prédios nas terras da família, conduzir acordos e Subornos, Doar terras a igreja, Coletar impostos, Adquirir mais terras ou não fazer  nada e Descansar (Nota do Sr. Slovic: Claro que como todos sabem a nobreza tem uma vida muito laboriosa e precisa tirar um tempo para descansar). A fase termina quando o jogador que tiver com a figura da rainha realizar sua ação. Esse é um diferencial interessante do jogo, pois a rainha pode mudar de mãos facilmente, o que significa que a fase pode terminar antes de todos jogarem. Há somente uma fase por década onde a rainha não pode se mover, o que significa que todos jogam.

Pode-se dizer que em Noblemen cada ação leva a um mini jogo, onde cada um tem uma estratégia independente para a vitória final.


Há a Expansão da Propriedade, que lembra um pouco a mecânica de Carcassonne e Gardens. A colocação ideal dos terrenos é vital, pois cada tipo de terreno proporciona um bônus: fazendas dão Moedas; bosques, mais Terrenos e; Jardins, Prestígio. Há também as planícies, que não dão bônus, mas é o único local possível para construir Prédios. Se você consegue colocar quatro terrenos de um mesmo tipo, formando um desenho central, tem mais ganhos. Cada jogador tem sua própria Propriedade, que não influencia as outras.

A Construção de Prédios lembra Suburbia e, um pouco, Puerto Rico, já que o planejamento de onde e quando construir é importante, pois os prédios vão ficando mais caros cada vez que um é feito e há uma quantidade limitada de cada um. São quatro tipo de construções: Castelos, Palácios, Capelas e Folly (nota da Sra. Slovic: Não achamos uma tradução fiel, mas é algo como construção sem utilidade feita em jardins para ornamentá-los). Além disso, não se pode construir prédios idênticos adjacentes um do outro e a Capela só dá bônus se estiver adjacente a Castelos e Palácios. A construção de cada Prédio trás uma vantagem imediata e no fim da década cada construção rende PV.
 Já a preparação do Baile das Máscaras é a cereja do bolo. Todo o jogo conduz a essa fase, que acontece duas vezes por década. Nela, os pontos de prestígio, que são adquiridos através da sua Propriedade, de seus Prédios, do Suborno e de algumas Cartas de Escândalos, são contabilizados e quem tiver mais pontos tem o direito de ser o primeiro a comprar Títulos de Nobreza, que, além de proporcionar descontos na compra de Prédios, dão muitos Pontos de Vitória. Apesar do vencedor não ser aquele com maior Título, ajuda muito ser um Duque ou Duquesa na maior parte do jogo.

- Então é só focar no Baile que o jogo está ganho! O resto é desperdício.

Que infortúnio! Somente um Bufão poderia pensar algo assim, sem compreender os intricados meandros da nobreza. Um mero Barão, mas que é do círculo íntimo da rainha, possui uma vasta e diversificada propriedade, muitos favores e boa relação com o clero, com certeza tem mais chances de vencer que um Duque isolado no único castelo de sua mirrada propriedade. Noblemen é um jogo de sutilezas, onde ninguém sabe ao certo quanto tempo ainda tem até chegar as fases de pontuação. O planejamento deve ser cuidadoso, pois a qualquer momento você pode ter que antecipar suas ações ou ver seus cuidadosos planos desmoronarem e seus rivais ganharem.



O visual do jogo é fantástico. O tabuleiro central emula o jardins simétricos dos castelos (nota do casal Slovic: O primeiro jardim a ser construido desta maneira foi o de Versalhes). As peças de terreno que vão formar as Propriedades são lindas. Casa jogador tem um escudo para esconder seus recursos e terrenos não usados. Na frente do escudo há o corpo do nobre e a cabeça é destacável, alterando conforme o título obtido. Os componentes do jogo são de uma qualidade ímpar, que lembra muito os jogos da Fantasy Flight.

No geral, Nobleman é um ótimo jogo. Foi uma grata surpresa para nós. O jogo é envolvente e até mesmo imersivo. Você se vê como de um nobre inglês e usa artimanhas para agaranhar mais poder, sendo prosperando seu feudo, coletando impostos dos humildes trabalhadores, subornando pessoas e a igreja ou descobrindo podres dos adversários e usando em benefício próprio. Pena que não é muito conhecido do público em geral. Mas siga nosso conselho: vá jogar Noblemen. Dificilmente irá se arrepender. Palavra do Duque e da Duquesa de Slovic. Nos vemos no próximo baile, vossa Senhoria.


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