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terça-feira, 5 de julho de 2016

Zombicide

É quando chega à noite que vem a pior parte. Junto com a escuridão vem o frio e a sensação de impotência. Claro que os resmungos ajudam a piorar o estado. Nervos a flor da pela. Qualquer movimento, qualquer barulho, pode desencadear algo muito bizarro... E potencialmente mortal. Seguro a espingarda com um fervor quase religioso. Sei o que ela significa para o grupo, já que para nos proteger no começo dependíamos de coisas improvisadas, como panelas. A vida era dura no princípio. E piorou cada vez mais e mais e mais... Enquanto espera, que tal um joguinho? Enquanto “eles” não vêm. Venha, pois Zombicide Tá na Mesa!





Zombicide é um jogo cooperativo lançado via kickstarter pela Guilliotine Games e Coll Mini or Not. Criado pelo trio Raphael Guiton, Jean-Baptiste Lullien e Nicolas Raoult, Zombicide foi um sucesso estrondoso e imediato. Mais que um jogo, foi uma febre, alcançando a fantástica marca de 4000% no fim do financiamento coletivo. E depois ainda conseguiu superar a marca em 2013 com a Season 2 e em 2014 com a Season 3.

- Season 2? Isso é jogo ou enlatado norte-americano idiota.

Membro da Geração Coca-Cola xoxa, calma lá! Zombicide foi claramente inspirado nos clássicos filmes de Zumbi de George Romero (Nota da Sra. Slovic: Nunca confundi-lo com Romero Brito! É sério!) e no fenômeno The Walking Dead. E aproveitando a onda do seriado, por que não criar Seasons para o jogo? Jogada bem bolada dos criadores.



Os jogadores assumem o papel de sobreviventes em um mundo arrasado pelo apocalipse zumbi. Com suas habilidades únicas e um senso de união, devem evitar sucumbir a hordas cada vez maiores de zumbis, enquanto cumprir uma determinada missão. O turno é dividido em duas partes: na primeira os jogadores fazer diversas ações como: movimentar, procurar, combater, abrir portas ou fazer barulho. No início cada jogador só tem três ações e conforme vai matando zumbis, ganha novas habilidades e ações. Depois de todos os jogadores usarem suas ações é a vez dos zumbis. O jogo possui uma elegante mecânica que simula ima Inteligência Artificial para o movimento dos mortos vivos ambulantes (Nota do Sr. Slovic: Sacaram a referência?), com uma simples regras: eles se movimentam na direção de qualquer personagem em sua linha de visão ou da maior fonte de barulho, e não por acaso, cada personagem é uma fonte de barulho. Os zumbis só tem uma ação, então ou se movimentam ou atacam (exceto do tipo Corredor, que tem duas ações).

- E zumbi tem tipo? Esse é um jogo tipo tosco!

Meu caro rascunho de Shane, há quatro tipos de zumbis: Lerdos, Corredores, Balofos e (as mais que temidas) Abominações. (Nota da Sra. Slovic: Depois com o lançamento das Seasons vieram novos tipos, mas isso fica para outro Tá na Mesa!) e cada um tem características diferentes. O tabuleiro é modular, o que permite a criação de vários cenários, pois além dos dez que vem no manual, é possível criar suas próprias missões facilmente. Cada personagem (são seis no jogo base), tem sua própria fica, com as habilidades iniciais e, o mais bacana, uma arvore de experiência. Para quem não sabe, isso significa que assim que o personagem tem várias opções para escolher quando passa de nível, tornando-o diferente a cada partida. Todos começam no nível azul e, conforme vão eliminando os zumbis, passam para amarelo, laranja e vermelho, mas cuidado! Sempre na fase de ativação dos zumbis, cartas serão sorteadas determinando quanto zumbis entram em jogo (Nota do Sr. Slovic: Sim, a cada rodada mais e mais zumbis entram no tabuleiro. É uma verdadeira horda.) e o número e tipo de zumbis depende do nível dos jogadores: quanto maior o nível, maior o desafio.






Zombicide comporta de um a seis jogadores (Sim, é possível jogar sozinho!) com duração extremamente variada. Depende da missão, que pode durar 30 min até seis horas, ou mais. Como já falamos, o jogo é cooperativo. O jogador é eliminado se receber dois ferimentos (Ninguém disse que a vida pós-apocalipse seria fácil) e, em algumas missões, se um personagem morre, é fim de jogo.

Além de tudo que vem no jogo, existe muito material extra, tanto oficial, quanto feito por fãs: personagens, miniaturas estilizadas, equipamentos, zumbis. Alguns foram extras do próprio financiamento coletivo, outros vieram depois de consolidado o fenômeno Zombicide.

- Feito por fãs? Isso é pirataria! E deve ser mal feito pra burro.

Na verdade, seu xing-ling defeituoso, tem muito material de excelente qualidade feitos pelos jogadores. Não é difícil encontrar na internet ficha de personagens famosos dos quadrinhos, TV e cinema. A própria empresa encorajou essa explosão criativa em torno do jogo e utilizou-se da estratégia nos financiamentos das Seasons!






No geral é um ótimo jogo. É um jogo para se pensar e agir em grupo. Às vezes é necessário um sacrifício para o bem maior do grupo e nunca é sábio sair correndo em carga para matar zumbis. Eles são burros, até mesmo previsíveis, mas estão em maior número e são como uma Hidra: “corte um e dois surgirão em seu lugar”. Se ficar cercado, game over! É também um jogo cruel e até difícil de vencer, principalmente nas primeiras partidas. Pode ser frustrante tentar uma, duas, três, quatro vezes e perder sempre. O jogo é tão dependente da sorte, quando da estratégia. E as miniaturas são um show a parte. Cada tipo de zumbi tem várias formas, deixando o jogo, visualmente falando, fantástico. O jogo fez (e ainda faz) muito sucesso nas listas de melhores jogos e a cada ano tenta se revitalizar com novas Seasons (Nota do Sr. Slovic: Essas Seasons não são expansões. São jogos independentes, mas totalmente compatíveis. É possível, e muito legal, juntar os tabuleiros em um único e insano cenário), mas o tema está um pouco batido. Agora, cuidado, pois o Apocalipse zumbi chegou, e você nem percebeu!


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