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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Progress: Evolution of Technology

Como é curiosa a inventividade humana. Fascinante ver como de simples caçador-coletores, passaram a manipular genes dos alimentos em poucos milênios. De como do barro queimado para guardar líquidos, chegou-se a microprocessadores capazes de calcular a mecânica do decaimento de luas anos-luz de distância em segundo. Há meio século começaram a voar na própria atmosfera e agora já alcançaram o limite de seu sistema solar. Antes usavam uma pedra afiada para se defender de animais selvagens e hoje já podem destruir toda a vida de seu planeta centenas de milhares de vezes com o toque de um mísero botão. Assim caminha a humanidade e sua tecnologia. Agora venha, pois Progress: Evolution of Technology Tá na Mesa!



Progress é um jogo de cartas, lançado por financiamento coletivo pelo Kickstarter em 2014. Criado por Agnieszka Kopera e Andrei Novac, o jogo tem duração média de 90 minutos e comporta de um a cinco jogadores.

- Mals ai, mas jogo de cartas que pra jogar sozinho? Isso se chama Paciência!



Paciência é o que preciso sempre para te aguentar, seu burro em pé! Progress é um fantástico jogo que simula o progresso (Nota da Sra. Slovic: Sacaram o trocadilho/pleonasmo?) da tecnologia humana, passando pelas descobertas mais importantes feitas pelo homo sapiens sapiens (Nota do Sr. Slovic: Sacaram o trocadilho não pleonástico?) nos últimos dez milênios. Saindo de coisas simples, como a invenção da roda ou a desenvolvimento da agricultura, passando pela criação da ópera e dos fertilizantes e chegando até a Teoria da Evolução das Espécies e o Ateísmo. As cartas representam esses desenvolvimentos e descobertas, estão divididas Três eras e, sempre que uma é baixada na mesa, representa que o jogador conseguir aumentar seu repertório tecnológico. O objetivo do jogo é conseguir mais Pontos de Vitória no fim da Terceira Era.

O jogo é simples de entender, porém não é fácil de dominá-lo. Cada jogador começa somente com duas ações possíveis por turno, mas no decorrer do jogo é possível aumentar esse número. As ações possíveis são: baixar uma tecnologia, começar uma pesquisa e comprar mais cartas. Cada tecnologia tem um custo de Ideia. Há quatro tipos de Ideia: Cultural, Mecânica, Científica e Pura, sendo que a última serve como um tipo de coringa.  Cada carta da mão que é descartada dá um ponto de Ideia Pura para ser usada no mesmo turno. Para baixar, por exemplo, a Roda, são necessárias três Ideias Mecânicas, sou seja, é preciso descartar três cartas. Tecnologias mais avançadas valem mais Ideias. Exceto pelas Tecnologias Básicas, todas possuem uma ou mais tecnologias de pré-requisito, o que significa que se o jogador já possuir esse avanço baixado na mesa, não é necessário pagar nada para desenvolver a nova.

É possível desenvolver uma tecnologia pesquisando-a. Quando pesquisa um avanço, não é necessário gastar Ideias. A pesquisa pode demorar de quatro a dois turnos para ser concluída, dependendo das tecnologias que o jogador já possui. Cada carta baixada altera alguns parâmetros do jogador, como a quantidade de cartas que pode ficar no fim do turno ou o número de ações. Algumas cartas também dão um token de Ideia, que podem ser usados uma vez por turno para desenvolver tecnologias. Há também algumas que dão PV e/ou Pontos de Trilha. Há três trilhas no jogo: Militar, Nobreza e População. A posição em cada trilha dá PV no fim da partida. E por fim algumas cartas tem o marcador de passagem de Era. Quando de um a três marcadores, dependendo do número de jogadores, aparecem na mesa inicia-se uma nova Era.

- Mals ai, mas esse jogo parece muito complicado. Parece mais difícil até que o Buraco que jogo com minha avó.

Vá pentear o Mico, seu Morto. Como já dissemos, Progress é simples, mas tem uma estratégia grande por trás. Não é um jogo de simplesmente baixar cartas. É preciso saber o que e quando baixar, pois se pode criar a combinação correta e desenvolver várias tecnologias de graça na sequência. O jogo já tem três micro expansões: a primeira e melhor é o deck com cartas para a Quarta Era, onde é possível desenvolver o Automóvel, a Tolerância Religiosa e a Teoria Atômica. A outra permite que os jogadores se unam para realizar algumas Maravilhas, como a Grande Muralha, a Circunavegação ou a Internet. E a ultima, a cada Era, os jogadores sorteiam uma Personalidade, que dá alguns bônus.

No geral, Progress é um jogo desafiador, porém solitário. Não há pouquíssima interação entre os jogadores. É quase um jogo solo comunitário, tanto que quase não há mudanças nas regras para se jogar sozinho. Não que isso deixe o jogo ruim, mas não é para quem gosta de interagir com os adversários. Mas para quem gosta de bons jogos que podem ser usados na educação, Progress é um prato cheio. É interessante ver como os pré-requisitos se relacionam: algo simples como o Sepultamento leva a ideias óbvias como o Monoteísmo, não tão relacionadas como o Renascimento das Artes e a coisas totalmente inusitadas como a Ferrovia. (Nota do Grupo Jedai: Use essas correlações em sala de aula. Deixe os alunos pesquisarem como uma descoberta leva a outra. O jogo até trás cinco fichas com a Árvore Tecnológica). Em Progress, diferente de outros jogos que utilizam da Árvore Tecnológica, não é necessário já saber algo para atingir o estágio seguinte. Você não precisa de Mineração para chegar até ao Alto-forno, só deixa o caminho a ser trilhado mais fácil. Venha descobrir o tortuoso, mais intrigante caminho da Ciência e Tecnologia em direção ao Progresso.


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